Olha o passarinho! (mas não paga nada por ele...!)

A gente toma banho, usa sabonete. Paga naturalmente a água e o sabonete. Tendo fome, almoça, janta, toma um café e paga, naturalmente. Mas a gente não acha natural pagar por serviços que estão na internet, que começaram como amostra grátis, experimentação etc.

Olha o passarinho! (mas não paga nada por ele...!)

Qualquer coisa na internet tem muita tecnologia envolvida, da criação das páginas até sua publicação e manutenção. Softwares de design, editoração, programação e testes. Horas e horas de desenvolvimento. Depois o sistema tem de rodar em provedores, consumindo energia, banda e – quando o volume de usuários cresce – acompanhamento de pessoal especializado. Ou seja, é impossível manter algo na internet que custe zero. E é preciso um modelo de receita, qualquer que seja, para gerar um contrapartida para os custos.

O problema: receita existe quando as pessoas percebem valor no que consomem e estão, por isso, dispostas a pagar pelo produto ou serviço. Então a coisa fica muito complicada para empresas digitais como o Twitter. Metade dos internautas dos USA utiliza o Twitter – mas ninguém quer pagar um centavo pelo serviço. Isso não é achômetro não: foi feita uma pesquisa com 2 mil pessoas em Carolina do Sul, pelo Center for the Digital Future (Centro do Futuro Digital, empresa que mede o impacto da internet na vida dos americanos).

Os internautas, a despeito de odiarem as propagandas, preferem ter de aturá-las a ter que pagar pelos serviços: 70% dos internautas classifica as propagandas on-line como irritantes. Irritam mas não doem no bolso.

O Twitter saiu correndo dizendo que não vai cobrar nada de ninguém pois não tem planos de cobrar seus usuários pelo conteúdo.

Esse resultado ilustra com nitidez o tremendo problema que é transformar usuários gratuitos em pagantes. O Google montou um modelo de publicidade online e consegue oferecer de graça centenas de produtos. Mas o Twitter, a despeito de todo seu sucesso, ainda não encontrou um caminho. De que adianta ter mais de 100 milhões de usuários que não pagam nada, com 70 milhões que detestam qualquer tipo de propaganda on-line?

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