Fraudes sempre existiram. Se você emite um cheque convencional, alguém pode clonar seu CPF, ou emitir um talão de cheques da mesma série, assinando os cheques de forma muito parecida. Ou pode emitir títulos contra você, seu CPF, descontá-los em banco antes do vencimento e, quando você perceber que isso aconteceu, seu nome já estará na lista negra da SERASA. Você não conseguirá comprar mais nada a prazo, terá o seu crédito restrito e levará anos até provar que é inocente.

Se você paga com um cartão de crédito, mesmo naquelas antigas máquinas de passar cartão, alguém pode clonar seu cartão e sua assinatura. Seu cartão pode ser facilmente clonado e, se não avisar a companhia, vai ficar devendo fortunas que nunca gastou.

Embora estas coisas aconteçam no mundo que nada tem a ver com a Internet, as pessoas tem, em seu imaginário, a impressão de que isso pode acontecer, com muito mais facilidade, nas compras feitas via internet. Por isso, elas tem mede de comprar via internet. Tem medo de fornecer o número do seu cartão de crédito e, a partir daí, serem lesadas.

Este fenômeno psicológico de certa forma retardou um pouco o comércio eletrônico na internet. O fator mais interessante é que, no começo, o consumidor só se sentia a vontade em comprar bens de pequeno valor: livros, CDs. Quanto maior o valor do bem, maior o medo de comprar. Obviamente, a possibilidade de fraudes nada tem a ver com o valor da compra – mas o comprador nunca raciocinou desta forma. Assim, no início do comércio eletrônico, principalmente os bens de pequeno valor unitário eram comprados. Somente compradores “ousados” adquiriam bens de maior valor, como geladeiras, computadores e outros. A possibilidade de fraudes, na realidade, independe do valor comprado – mas esse não é o raciocínio do comprador típico. Ele compra flores, mas não compra uma televisão, ainda com medo de clonagem de seus dados.

Paulatinamente, esta situação tem mudado. E o comércio digital, via internet – em qualquer lugar do mundo – tem avançado a passos largos, com cifras em geral maiores que 20% a 30% ao ano. Imagine se você pudesse ter uma rede de lojas no varejo cujas vendas crescem anualmente pelo menos 30%. Bom seria, não? É isso que está acontecendo com o comércio eletrônico no mundo. A despeito dos medos e paúras ainda infundados.

Você pode pensar que “jamais comprarão e pagarão” meu produto via internet. Costumo dizer aos meus alunos que há pelo menos 6 bilhões de pessoas no planeta e que há louco para tudo nesse contingente. É impossível prever o que pode acontecer. Sei de casos em que as pessoas compram aviões pela internet. São bens de alto valor unitário e que, racionalmente, não faria sentido comprá-los sem vê-los pessoalmente. Mas mundo mudou e temos que nos conformar a ele. Se a pessoa não efetivar a compra através do seu site, no mínimo, e quiser de fato comprar, vai entrar em contato com a sua empresa.

Assim, mesmo que uma venda não se concretize digitalmente, de forma pura, ela pode ter origem 100% digital. O comprador viu seu site, gostou de seu produto e só quer ter certeza de poder receber o que viu que era ofertado. A venda, de fato, foi feita pelo site, embora, fisicamente, se concretize via telefone ou visita pessoal.

O fato é que a WEB vende – e vende cada vez mais. E o que é fechado via WEB cresce pelo menos 20% a 30% ao ano. Aí não se computa o que é fechado indiretamente através da WEB: pessoas que consultam e depois compram na rede física. Se isso fosse feito, essa percentagem seria muito maior. Por isso tudo, cuidado: você pode estar vendendo metade, ou menos, do que poderia estar vendendo. Especialmente se você não vende livros e nem CDs que, já há alguns anos, deixaram de ser os principais objetos de compra da via internet.

© 2012 Googlelândia Suffusion theme by Sayontan Sinha